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sábado, 16 de abril de 2011

carta para você.

tenho me distraído tanto ultimamente, e nem pensar mais em você eu tenho pensado. cada um seguindo a sua vida, bem let it be. chego em casa à noite, olho pela janela, sinto frio, faço um chá e não penso em você de jeito nenhum. deixo as coisas em seu devido lugar e minto para mim dizendo que não foi tudo aquilo que eu dizia, que eu me enganei como já havia me enganado quatro anos antes. criei o costume de mentir para o meu reflexo no espelho e dizer que tudo bem, vai ficar tudo bem, que eu enfrentei teu adeus como um sorriso nos lábios. tanta mentira que me causou muita dor. mas ontem eu cheguei em casa à noite, senti frio, fiz chá e pensei em você. e doeu bastante, doeu bastante pensar em você, e saber que teríamos tanto potencial pra encontrar a felicidade e o amor. que poderíamos sim ser feitos um pro outro, e enquanto eu fui pensando em tudo isso, eu fui me encolhendo dentro de mim mesma, e fui aceitando a dor e chorei, chorei tanto tanto tanto, esperando uma palavra de consolo de alguém, esperando você dar um telefonema e dizer que está aqui ainda, que as coisas ainda são como antes, como há quatro anos atrás quando você me embalava nos braços e me fazia dormir. de repente o mundo foi ficando tão feio, escuro e vazio, e eu não encontrava nenhuma música, nenhum trecho de livro para me acalmar e me fazer acreditar que eu não estava sozinha. pensar em você não deveria nunca ser tão doloroso assim. queria apenas que fosse let it be mesmo, passou, passou, não toca mais, não machuca mais, não consome mais. e eu, tão cheia de confiança acabei percebendo que eu fui arrogante demais com o meu coração, que acreditei demais que poderíamos nos enganar pelo resto da vida, tanta mentira que eu contei para saber suportar a dor de perder você, tanta coisa suja e feia que eu inventei. eu ria sempre, sempre ria sobre nossos momentos como se não tivessem sido importantes, e eles foram tudo o que eu tenho de bonito em mim, agora eu consigo entender, agora eu posso te dizer que foi real, que eu senti o Drummond dentro do peito. e existe, meus caros, o amor existe sim, e ele pode ser bem verdadeiro se permitirmos. agora as noites vazias continuarão a deslizar do lado de fora, e eu nada mais posso fazer para trazer você de volta em minhas manhãs tão sozinhas, tardes sem você. eu nada mais posso esperar de você, nada mais posso pedir. não tem mais sua voz no meu ouvido, não tem mais você sentado na minha cama olhando para mim, não tem mais você me levando pra tomar o café da manhã, não tem mais você me fazendo sentir que a sua falta dói como se estivesse perdendo uma parte de mim mesma, não tem mais você pedindo para eu não ir embora, pedindo para eu ficar mais um pouco, me dizendo que o metrô atrasou, murmurando que eu sou tão intensa que ele fica sem ar quando está perto de mim. não tem mais você dentro da minha vida, e dentro de todas as coisas que formavam a minha vida com você. e eu acho que agora eu começo a aceitar que, mesmo com um fim, sempre existe uma chance de ser feliz dentro de nós mesmos, e dentro de todas as outras pessoas no mundo que podem, talvez, ser o que você foi pra mim.
mas dói, dói bastante.

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