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quarta-feira, 21 de março de 2012

E o que elas não sabiam era ainda mais terrivel..


"Quando percebi, estava olhando para as pessoas como se soubesse alguma coisa delas que nem elas mesmas sabiam. Ou então como se as transpassasse. Eram bichos brancos e sujos. Quando as transpassava, via o que tinha sido antes delas, e o que tinha sido antes delas era uma coisa sem cor nem forma, eu podia deixar meus olhos descansarem lá porque eles não se preocupavam em dar nome ou cor ou jeito a nenhuma coisa, era um branco liso e calmo. Mas esse branco liso e calmo me assustava e, quando tentava voltar atrás, começava a ver nas pessoas o que elas não sabiam de si mesmas, e isso era ainda mais terrível. O que elas não sabiam de si era tão assustador que me sentia como se tivesse violado uma sepultura fechada havia vários séculos. A maldição cairia sobre mim: ninguém me perdoaria jamais se soubesse que eu ousara.Ninguém me perdoaria se soubesse que eu sei o que elas são, o que elas eram."

terça-feira, 13 de março de 2012

Texto e foto do espetáculo ''cromossomo X''


''São 04:30. E se são 04:30 e não 16:30, suponho que não precise dizer que são 04:30 da manhã. Embora agora já esteja dito.
Eu não durmo. Tem dias, já. Na verdade, tem dias que eu durmo pouco, mas o negócio é que hoje não consigo. Tá foda. Tá nada. Foda é um treco acompanhado, e eu não durmo é de solidão mesmo, da braba.
Nem tem essa de deitar nos pés da cama, comprar lençol novo, tomar banho quente, chá de ervas “x”. Minhoca na cabeça é muita, e quando a gente deita elas saem pra passear. Depois vem a fome. As fomes. A da meia-noite, a das duas e quinze, a das quatro e tanto. Mais um pouco e dá para ir comer pastel na feira. Se tiver feira.
Você já pensou que pode sentir saudades de apertar uma bunda, um pau, uma tetinha no escuro? Não qualquer pau, bunda ou teta, nem qualquer escuro. As obscenidades amadas, no escuro de casa. Até sem vontade de trepar, só para tirar um sarro, conferir. Saber de novo a presença do outro com quilinhos a mais, barriguinha, careca e os cambaus.
Se você nunca pensou numa coisa dessas e até estranhou, te digo que sacanagem, mesmo a inocente, é uma coisa doída de lembrar. No seu lugar de acompanhado, eu tratava de ir apertando tudo o que passasse por mim. E se não passasse, agarrava.''

segunda-feira, 12 de março de 2012

O mundo é um moinho.


''Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida.
Já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar?

Preste atenção querida, embora saiba que estás resolvida, em cada esquina cai um pouco a tua vida.. Em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões à pó!

Preste atenção querida, de cada amor tu herdarás só o cinismo.
Quando notares estás a beira do abismo..
Abismo que cavastes com teus pés.''

quinta-feira, 8 de março de 2012

Eu só queria sentir que minha ausência faz tanta falta como a tua me faz.



''Queria que seus olhos só sorrissem para mim, mas que egoísta da minha parte querer que suas palavras sejam só minhas, seu riso, seu choro, sua vida.''

segunda-feira, 5 de março de 2012

Amadurescência.


Depois que a gente cresce, com sorte, pode-se chamar por um amor. Ainda que se esteja por diversas vezes sozinho.
Como há coisas tão pequenas que nos afetam tão completamente.. de certo, se encontram em algum lugar do ego que por alguma razão se formou frágil.
Eu sei que tem vezes em que eu me guardaria para dentro, me fechando numa costura bonita e atraente, costurando ponto a ponto com linha resistente para nunca mais me rasgar.
"Eu sei que ela pensa em ti,
e fecha os olhos.
E se tranca no quarto.
Para pensar em ti.
Até morta, pensará em ti."


Nelson Rodrigues.

Pronto, acabou: não preciso ligar para ninguém, já que ninguém liga para mim.

Esvaziando a cabeça, enchendo o coração


Acordou com a boca seca e os olhos ainda fechados bem apertados como quem não quer expô-los a realidade.
Ouviu uma voz aconchegante, e mesmo que não seja das mais bonitas, era aquela a voz sempre presente independente do bem ou do mal.
Abriu.
Abriu os olhos e pensou que com toda a certeza do mundo a dona daquela voz merecia um olhar afetuoso, mesmo que sonolento.
Era mesmo o motivo de um aviso de distância curta e rápida: ''vou, mas já volto'' e ainda com um amor imensuravel não descuidou: ''não esqueça do seu remédio''.
Levantou, despejou agua em seu rosto e olhou. Olhar-se no espelho, além de mostrar a realidade nua e crua, mostra o interior de uma pessoa visto em seus próprios olhos, também nú, crú e exposto.
Só não vê quem não quer. Tem, é claro, os que se deixam manipular.
Teve uma forte vontade de mudar. Pensou em cortar seus cabelos, pintá-los, colocar mais um ou dois piercings, e tudo o que represente uma mudança aos olhos de quem vê.
Porém, isso já não lhe curaria mais. O mal estava do lado de dentro, havia poluido partes essencias para a sensata e alegre existência humana.

A voz voltou:
''Você cortou seus cabelos, minha filha.''
(não consigo dispensar o amor de tudo o que vem da dona dessa voz).

''Sim, mãe. Foi um corte de desejo.
Desejo mesmo de me mudar.''