
As vezes acho que não sei viver, não sem um desejo louco de companhia. Pois me pego acreditando e idealizando que estar sozinha é uma das mais práticas formas de enlouquecer, e de enlouquecer um gole a mais é que eu tenho medo.
Talvez eu tenha mais medo ainda é de ficar loucamente compativel a tudo o que eu vejo, e não olhar pro meu reflexo no espelho talvez seja uma forma de não enlouquecer ou de não me tornar parte dessa loucura que eu -não- vejo.
Exatamente! É de ficar sozinha que eu tenho medo, porque quando estou sozinha eu sinto muito medo de continuar à sós comigo, e procuro desesperadamente um espelho no qual eu possa me ver, me encarar fixamente nos olhos, testando até onde é que eu sustento e aguento por vontade (e não obrigação) o meu próprio existir.
Procuro a todo instante evitar de entrar nesse aquario do qual eu escolhi viver fora.
(Há a repetição de duas palavras insanas que estão atormentando o meu ser numa noite grudenta como essa.)
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